Itaúnas, 2009.
11.3.09
7.3.09
6.3.09
24.2.09
"Agora, todos vão virar à esquerda e seguir direto até Madureira, comer um mocotó." Na dispersão de uma das escolas que encerrava o seu desfile na Sapucaí, o comentarista da Globo repetia, pela enésima vez, o tema favorito de narradores, repórteres e agregados: o vínculo do Carnaval do Rio com a "comunidade". Pareciam instruídos a nos fazer acreditar que, sim, ainda trata-se de uma festa essencialmente popular.
Produzida nos morros. Genuína. Esqueça dinheiro do tráfico, puteiro gringo, espetáculo pra mídia. Esqueça. Viva a "comunidade". O "barracão". "Fulana é neta daquele lendário diretor da Mangueira". Viva.
Viva a Miss Brasil Mutante. Fez aulas de samba para defender suas duas escolas favoritas, explica com sotaque gaúcho.
Nada mais "comunidade" do que amar duas escolas adversárias. Algo semelhante a sair correndo do Palestra Itália para pegar o segundo tempo do outro time do coração, que joga de preto e branco no Pacaembu.
"Rola uma super troca de energia com a comunidade" gaba-se Suzana Vieira, enquanto dispara beijinhos. Fernanda Lima vai além e, desavisada, surge dando um senhor esporro em três negões da "comunidade". Ao perceber que está sendo filmada, contudo, esquece o chilique e veste aquela alegria espontânea do Carnaval, sambando e sorrindo. Moça autêntica.
O repórter, maroto, pede a Paola Oliveira: "Adianta pra gente o que a avenida toda vai ver já já". Ela adianta. E você sabe o que "a avenida toda vai ver já já". Sheron Menezes (quem?) mostra orgulhosa como entupiu as coxas de fita crepe para ter mais liberdade. Christiane Torloni é louvada pelo locutor, pois precisou ir até o barracão ensaiar sua versão de Marianne de Delacroix.
Até o barracão. Mas não deve ter sido longe. Afinal, estamos falando de "comunidade", não? Deve morar a um, dois quarteirões de lá. No máximo.
E não pense que só celebridades transpiram esse maravilhoso espírito. Um mestre-sala, ao exibir as 9.000 luzes de sua fantasia como faria o pior novo-rico, agradece a quem? À "comunidade". Quando a câmera mergulha entre alas de anônimos, eles se estapeiam para aparecer -felizes, felizes- na TV. Talvez, assim, a "comunidade" aqui da firma morra de inveja.
Não, não há como não se emocionar. É mesmo uma festa mágica. Pena ainda não haver pay-per-view 24 horas para podermos, neste exato instante, assistir direto de Madureira à comunidade inteira batendo um mocotó.
Ou você tem alguma dúvida de que estão todos lá?
Do 'Mocotó em Madureira' do Gustavo Piqueira para a Folha.
Produzida nos morros. Genuína. Esqueça dinheiro do tráfico, puteiro gringo, espetáculo pra mídia. Esqueça. Viva a "comunidade". O "barracão". "Fulana é neta daquele lendário diretor da Mangueira". Viva.
Viva a Miss Brasil Mutante. Fez aulas de samba para defender suas duas escolas favoritas, explica com sotaque gaúcho.
Nada mais "comunidade" do que amar duas escolas adversárias. Algo semelhante a sair correndo do Palestra Itália para pegar o segundo tempo do outro time do coração, que joga de preto e branco no Pacaembu.
"Rola uma super troca de energia com a comunidade" gaba-se Suzana Vieira, enquanto dispara beijinhos. Fernanda Lima vai além e, desavisada, surge dando um senhor esporro em três negões da "comunidade". Ao perceber que está sendo filmada, contudo, esquece o chilique e veste aquela alegria espontânea do Carnaval, sambando e sorrindo. Moça autêntica.
O repórter, maroto, pede a Paola Oliveira: "Adianta pra gente o que a avenida toda vai ver já já". Ela adianta. E você sabe o que "a avenida toda vai ver já já". Sheron Menezes (quem?) mostra orgulhosa como entupiu as coxas de fita crepe para ter mais liberdade. Christiane Torloni é louvada pelo locutor, pois precisou ir até o barracão ensaiar sua versão de Marianne de Delacroix.
Até o barracão. Mas não deve ter sido longe. Afinal, estamos falando de "comunidade", não? Deve morar a um, dois quarteirões de lá. No máximo.
E não pense que só celebridades transpiram esse maravilhoso espírito. Um mestre-sala, ao exibir as 9.000 luzes de sua fantasia como faria o pior novo-rico, agradece a quem? À "comunidade". Quando a câmera mergulha entre alas de anônimos, eles se estapeiam para aparecer -felizes, felizes- na TV. Talvez, assim, a "comunidade" aqui da firma morra de inveja.
Não, não há como não se emocionar. É mesmo uma festa mágica. Pena ainda não haver pay-per-view 24 horas para podermos, neste exato instante, assistir direto de Madureira à comunidade inteira batendo um mocotó.
Ou você tem alguma dúvida de que estão todos lá?
Do 'Mocotó em Madureira' do Gustavo Piqueira para a Folha.
19.2.09
18.2.09
16.2.09
15.2.09
5.2.09
3.2.09
8.1.09
7.1.09
30.12.08
20.12.08
19.12.08
12.12.08
8.12.08
6.12.08
2.12.08
29.11.08
26.11.08
20.11.08
18.11.08
˙André Cypriano fugidio e solitário, andante da noite, vendedor ambulante de desespero - grávido de inferno. Indivíduo de inconstante consciência subjugado. Gestante do fruto pecado penal, mandamento amputado, paradoxal carcereiro do lado de fora. Caldeirão do Diabo, mulambo da manhã, caldo de sopa, de tempo devastado. Poeira do acaso, sistema presidiário. Débil é a barra sob o pálido dardo de luz que conjura o homem das quatro paredes. Uma outra viagem - palavra é carne -, privilégio da cobiça encarcerada entre parede rabiscada de dor - assim vejo o homem, assim vejo o poder - atracado na barra mascarada, tatuagem mortuária do corpo em anseio de liberdade - matar o sistema é a ordem do dia.˙
Do Mário Cravo Neto sobre o Caldeirão do Diabo do Sr. Cypriano.
Do Mário Cravo Neto sobre o Caldeirão do Diabo do Sr. Cypriano.
17.11.08
11.11.08
8.11.08
22.10.08
19.10.08
13.10.08
11.10.08
1.10.08
30.9.08
22.9.08
12.9.08
˙(...) asfixiados com sacolas de plástico, de supermercado. Depois tiveram seus corpos embebidos de querosene e incendiados. O que sobrou desses corpos foi esquartejado com uma foice; os pedaços, enfiados em sacos pretos e deixados na rua para os lixeiros, que os descobriram.˙
Do Ruy Castro na Folha sobre as difíceis tarefas dos pais.
Do Ruy Castro na Folha sobre as difíceis tarefas dos pais.
4.9.08
22.8.08
21.8.08
17.8.08
8.8.08
27.7.08
23.7.08
22.7.08
16.7.08
15.7.08
8.7.08
Richard Avedon, auto-retrato, 20 de agosto de 1980
Ruby Mencer, publicitária, 31 de julho de 1981
Daniel Solozar, agricultor, 4 de abril de 1980
Debbie McClendon, recreadora infantil, 29 de julho de 1981
Clifford Feldner, pastor desempregado, 15 de julho de 1983
Billy Mudd, caminhoneiro, 7 de maio de 1981
Charlene Van Tighen, fisioterapeuta, 26 de junho de 1983
James Kimberlin, vagabundo, 7 de outubro de 1980
Das legendas do senhor Avedon no ˙In American West˙.
Ruby Mencer, publicitária, 31 de julho de 1981
Daniel Solozar, agricultor, 4 de abril de 1980
Debbie McClendon, recreadora infantil, 29 de julho de 1981
Clifford Feldner, pastor desempregado, 15 de julho de 1983
Billy Mudd, caminhoneiro, 7 de maio de 1981
Charlene Van Tighen, fisioterapeuta, 26 de junho de 1983
James Kimberlin, vagabundo, 7 de outubro de 1980
Das legendas do senhor Avedon no ˙In American West˙.
5.7.08
30.6.08
26.6.08
19.6.08
18.6.08
˙Quem não ama estas imagens não ama a poesia, entendeu? se não ama a poesia, vai para casa e assiste a TV com cowboys com chapéu de cowboys e os pobres cavalos gentis que os suportam. (...)
A Robert Frank agora mando essa mensagem: você sabe ver.
E digo: aquela jovenzinha ascensorista toda sozinha que olha para cima e suspira em uma elevador cheio de demônios confusos, como se chama? Onde mora?˙
Do Jack Kerouac na introdução d˙Os Americanos˙ do Robert Frank.
A Robert Frank agora mando essa mensagem: você sabe ver.
E digo: aquela jovenzinha ascensorista toda sozinha que olha para cima e suspira em uma elevador cheio de demônios confusos, como se chama? Onde mora?˙
Do Jack Kerouac na introdução d˙Os Americanos˙ do Robert Frank.
9.6.08
26.5.08
14.5.08
5.5.08
30.4.08
24.4.08
19.4.08
Sobre o ritmo para se fazer determinadas coisas. Ou: sobre como chegar ao ritmo para se fazer determinadas coisas. Ou: como determinar o ritmo para se fazer determinadas coisas. Ou: como fazer determinadas coisas com o ritmo que se tem. Ou: como transpor as coisas a serem feitas para o ritmo que se tem.
18.4.08
16.4.08
11.4.08
9.4.08
1.4.08
31.3.08
26.3.08
20.3.08
˙Um súdito do Império Romano, vindo do oriente mais remoto, chegou a Roma no início do século 1º, extasiou-se diante dos mármores da Cidade Eterna e, visitando as termas, ficou perplexo ao saber que os romanos tomavam banhos diários e demorados. Voltando para a sua província, tentou fazer uma termas onde todos pudessem se banhar. Foi decapitado, sob acusação de imoralidade.˙ Do Cony, na Folha.
Dos fatos que viram metáforas.
Dos fatos que viram metáforas.
13.3.08
12.3.08
Subscribe to:
Posts (Atom)
















































